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Romaria à Santa Cândida: local de resistência, luta e solidariedade por lula livre

Escrito por: Marcio Kieller, secretário geral da CUT Paraná

17/05/2018

O Brasil tem sido visto mundialmente como o palco de uma resistência impar nos últimos dias. E ao ampliarmos nosso olhar, geograficamente falando, iremos localizar o pequeno e pacato bairro da Santa Cândida em Curitiba, local em que se encontra a Polícia Federal, onde o presidente Lula é mantido como preso político.

Após o mundo todo ter visto um exemplo de resistência das trabalhadoras, trabalhadores e do povo em geral que cercou o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo – SP e resistir por 48 horas, reunindo dezenas milhares de pessoas ao entorno do Sindicato para aguardar qual seria a decisão política que tomaria o ex-presidente Lula, se atenderia o chamado de apresentar-se à justiça para começar a cumprir a injusta pena que politicamente lhe foi imposta, pelo arbitrário e parcial Juiz de primeira instância Sergio Moro e que de forma orquestrada foi mantida e ampliada pelos Juízes do TR-4 em Porto Alegre. Ou não! Lula optou por não entregar-se no prazo dado, pois afinal de contas ele alega inocência, ou seja, porque um inocente se entregaria voluntariamente para cumprir uma pena por algo que não cometeu? O ex-presidente Lula que além de ser um dos maiores lideres populares do mundo, também é um democrata e pacifista, para evitar conflito resolveu entregar-se depois de vencer o prazo, obviamente para evitar que houvesse um derramamento de sangue em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Mais uma vez uma postura de um estadista e principalmente pacifista.

Mas com a inteligência que lhe é peculiar o Presidente Lula deu seu recado ao Brasil e ao Mundo que o Golpe Institucional e Parlamentar que vivemos é um golpe de Classe. Golpe contra a Classe trabalhadora do Brasil. Por isso a opção política de se refugiar dentro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, pois poderia fazê-lo na sede do Partido dos Trabalhadores ou mesmo em sua casa. Mas não, optou por esperar o momento de se entregar dentro do Sindicato. Para que as trabalhadoras e trabalhadores soubessem a que se destina o golpe, que é consolidar as reformas trabalhistas, a reforma do Estado, que além de diminuir o tamanho do estado e das políticas públicas, retiraram a maioria dos os direitos históricos das trabalhadoras e trabalhadores contidos na CLT.

O ex-presidente Lula foi trazido para a sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, que como dissemos, fica no Bairro da Santa Cândida em Curitiba no Paraná.

A vinda de Lula para o bairro da Santa Cândida alterou drasticamente a vida desse pacato bairro da de Curitiba. Pois, organizou-se nacionalmente uma verdadeira romaria de trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade, de diversos movimentos sociais ligados à questão da Terra, da água, da moradia urbana, dos Atingidos por Barragens, da Agricultura Familiar, de movimentos de LGBTT, dos Jovens e suas entidades como a UNE, UBES. Enfim, de diversas federações e sindicatos de diversas centrais sindicais, como a CUT, a CTB e até sindicatos e federações de outras Centrais Sindicais. Personalidades da Politicas das mais diferentes matizes, das artes, dos esportes, das letras, das religiões e credos começaram a chegar a Curitiba para uma grande e, ininterrupta vigília e acampamento que já se estende por mais 37 dias nesse modesto bairro de Curitiba que hoje já é conhecido no Brasil e no Mundo, o bairro da Santa Cândida!

Depois da habitual e desnecessária violência da polícia militar do Paraná, cometida contra os apoiadores de Lula e da democracia - já conhecida no Brasil todo por eventos como o do dia 30 de agosto de 1988 e do dia 29 de abril de 2015 - provocada inclusive segundo alguns, por bombas lançadas de dentro da Própria polícia Federal iniciou se um confronto onde diversos manifestantes contra a prisão arbitrária de Lula ficaram gravemente feridos. Enquanto a integridade física do pequeno grupo que comemorava com festa e fogos de artifícios a prisão de Lula foi totalmente preservada.

Depois desse fato violento por parte da PM do Governador Beto Rixa, optou-se pela realização da Vigília que se desdobrou em acampamento popular contra a prisão de Lula. E por 10 dias os participantes dessa romaria pela Liberdade de Lula ficaram acampados no mesmo espaço da Vigília, mas a prefeitura de Curitiba chegou ao cúmulo de usar contra os cidadãos o medieval artificio do interdito proibitório, impondo uma multa surreal às entidades que estão à frente da organização da Vigília e acampamento, se os manifestantes não cumprissem a liminar do interdito de 500 mil reais por dia. O Acampamento teve que ser retirado mediante o acordo de manutenção da Vigília. Mas isso não foi o bastante para frear o espirito de defesa da democracia e da liberdade de Lula, não pura e simplesmente por que não existem provas para a condenação do Presidente Lula, mas sim pelo que ele representa para a população mais pobre e para a classe trabalhadora do Brasil e do Mundo. O que fez com que o acampamento fosse para outro espaço do Bairro da Santa Cândida, mas a Vigília se manteve no mesmo lugar e, passados 36 dias da vinda do presidente mais popular da história do Brasil para o bairro o que mais impressiona é o vigor da Vigília e Acampamento Lula Livre.

A quantidade de caravanas que começaram a chegar a Curitiba, o número de pessoas que se dirigem a sede da Polícia Federal e também a quantidade de personalidades da política das mais diferentes matizes, das ciências, das artes, das músicas, dos movimentos sociais, dos partidos progressistas que chegam a Curitiba para, a grande e ininterrupta, Vigília e Acampamento por Lula Livre que já se estende por mais de um mês para prestar solidariedade ao Presidente Lula e protestar contra a violência desnecessária da PM, transformando o local no centro político de resistência pela liberdade para Lula. Desde então a Vigília e Acampamento que tem recebido trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade dos quatro cantos do Brasil e pessoas de diversos países do mundo.

O local entre as ruas Guilherme Matter e Dr. Barreto Coutinho ganhou até uma Praça denominada de Olga Benário, alusão ao nome da militante comunista judia alemã, que foi entregue pelo Supremo Tribunal Federal e pelo governo de Vagas a Hitler durante a Segunda Grande Guerra. O espaço é onde acontecem todos os dias pela manhã, pela tarde e no inicio da noite as saudações ao presidente de Lula, com atos políticos e culturais que tem contato com a presença de inúmeras personalidades e muita gente no local.

O número de pessoas que se dirigem a sede da Polícia Federal e também a quantidade de personalidades da política das mais diferentes matizes, das ciências, das artes, das músicas, dos movimentos sociais, dos partidos progressistas, dentre elas pré-candidatos a presidente da republica como Guilherme Boulos, Manoela D´avilla, Fernando Haddad. Também estiveram visitando o local, governadores de nove estados do nordeste e outros os ex-governadores como Roberto Requião, Senadores, deputados federais prefeitos, dentre tantos outros nomes importantes das artes e da política que começaram a chegar à Curitiba. O que fez com que o local se transformasse na grande vigília permanente por Lula Livre. E a solidariedade e a representação simbólica do ex-presidente Lula trouxe também a esse bairro de Curitiba, inúmeras representações de entidade internacionais, como o Premio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel e o famoso Frei Brasileiro Leonardo Boff. O presidente Lula que não cometeu nenhum crime está preso injustamente, e como a Justiça nesse caso, não está fazendo justiça, mas fazendo sim fazendo política. Inúmeras personalidades políticas são categóricas em dizer que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva é um preso político, porque tem sido mantido em total isolamento.

A vigília pela liberdade do presidente fez com que a ruas nas imediações da Polícia federal se transformasse numa verdadeira Ágora (ágora - é o termo Grego para o local da assembleia, da reunião, do espaço de debates públicos e democrático.) onde durante o dia e inicio da noite revezam se personalidades das mais diferentes áreas em falas de defesa da democracia, dos direitos da classe trabalhadora que foram vilipendiados pelo golpe institucional e parlamentar implementado no Brasil em 2016 com o impeachment sem crime da presidenta Dilma Rousseff. Essas são as principais marca das falas de políticos e intelectuais intercaladas com atividades culturais e artísticas que tem transformado as ruas nas proximidades da Polícia Federal do Paraná em um verdadeiro Fórum Social, evidenciado pelos grandes nomes que aqui já passaram para denunciar ao Brasil e ao mundo o golpe institucional, parlamentar e de classe que estamos vivendo no Brasil, onde a injusta prisão do Presidente é somente mais uma de suas etapas. Por isso é que acontece essa verdadeira romaria ao Bairro da Santa Cândida, local de resistência, de luta e solidariedade por lula livre!

Viva a Democracia! Viva a Vigília e Acampamento Lula Livre!

Marcio Kieller
Secretário Geral da Central Única dos Trabalhadores do Paraná - CUT/PR, Mestre em Sociologia Política pela UFPR
 

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