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Conjuntura incerta e negociação dura: acordo por dois anos foi decisão certa

Escrito por: Elias Jordão, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região

13/09/2017

Um processo de negociação não é algo tão simples assim, principalmente quando se está negociando com banqueiro. A campanha salarial de 2016 foi bastante emblemática com uma conjuntura e um cenário que se apontava bastante incerto, o que se confirmou no decorrer de 2016 culminando com tudo que estamos vendo em 2017; isso tem que ser levado muito em consideração.

Foi uma negociação e uma campanha muito dura, com 32 dias de greve que apontava para um desfecho de perdas com proposta de índice abaixo da inflação e com ameaças constantes de desconto dos dias parados; foi neste contexto com alguma polêmica naquele momento sobre o acordo de dois anos que encerramos nossa campanha com a aceitação da proposta por toda a categoria nacionalmente; nada se fez, nada se negociou, nada se aceitou sem a anuência da categoria.

Hoje, em um cenário cada vez mais desfavorável aos trabalhadores, não temos a menor sombra de dúvida que tomamos a decisão acertada, inclusive nosso acordo é modelo desejado por outras categorias que já estão sentindo na pele as dificuldades de negociação na atual conjuntura. Quanto à inflação do período, cabe aos institutos apontarem qual o índice e cabe a nós questionarmos as metodologias de cada instituto, lembrando que índice alto sem ganho real não significa ganho, mas apenas reposição de inflação. Ganho de fato é o ganho real; a realidade é que pelos acordos fechados até agora a maioria das categorias tiveram dificuldades em fechar acordos com ganho real e nós já temos isso garantido (inclusive a PLR) em nosso acordo e sem perder nenhum direito; direitos que estariam em risco neste momento com uma reforma trabalhista aprovada, reforma esta muito claramente patrocinada pelo empresariado.

Se não tivéssemos este acordo, talvez estivéssemos neste momento em greve sem saber por quanto tempo para repor minimamente a inflação do período e principalmente para mantermos nossos direitos conquistados há décadas e que estão sendo atacados duramente e diariamente de forma agressiva como nunca antes visto.

Isso tudo nos traz um desafio muito maior na campanha deste ano, pois tão ou mais importante que as cláusulas econômicas estão os embates que teremos que fazer para sepultarmos as reformas que estão sendo propostas pelo atual governo ilegítimo que foi colocado no poder justamente para isso; atender aos interesses do mercado e retirar direitos dos trabalhadores. Ou nos mobilizamos para derrubar as reformas, ou corremos o risco de não termos nem reajuste salarial, nem PLR, nem emprego e nem aposentadoria.

É claro que queremos mais e merecemos mais e como nosso acordo é de dois anos, vencendo este acordo em 2018 teremos novamente a oportunidade de buscarmos novamente o melhor acordo e isso só será possível com sindicatos fortes e representativos e principalmente com muita mobilização dos trabalhadores. Sindicato forte e representativo é aquele que tem o apoio e a participação ativa da sua categoria.

Só a luta nos garante!

Elias Jordão
SEEB Curitiba

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