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Verdades e mentiras sobre as eleições da APP-Sindicato e a CUT Paraná

Escrito por: Márcio Kieller, secretário-geral da CUT Paraná

05/09/2017

 

Entramos agora em setembro na reta final de uma das mais importantes eleições sindicais do campo CUTista a eleição da APP/Sindicato – Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná, maior sindicato do Paraná e um dos maiores do Brasil.

Muitas pessoas estão envolvidas nesse processo eleitoral sindical no estado inteiro. É uma eleição complexa que se desenvolve através uma grande eleição estadual e outras 29 eleições regionais de núcleos sindicais que compõem a estrutura diretiva e política da APP/Sindicato no estado, pois os núcleos além de dar conta das políticas nas regiões do estado compõem o Conselho Estadual da APP, estrutura que define a linha política e organizativa da entidade em todo estado. Como trata se do maior sindicato do estado, muitos que se interessam nessa disputa eleitoral da direção da APP para criar confusão utilizam se da má fé, de inverdades e da irresponsabilidade com a categoria para desqualificar a atual gestão nas escolas, nas redes sociais e na imprensa. Divulgando coisas mentirosas sobre o importante trabalho que a APP tem feito nas últimas gestões. Por esses motivo é que faz se necessário que esclareçamos algumas coisas na perspectiva da Central Única dos Trabalhadores do Paraná a qual APP/Sindicato é filiada.

A primeira questão é a da autonomia sindical. A liberdade e autonomia sindical é um princípio fundante da nossa central e instrumento de gestão e funcionamento dos sindicatos, federações, confederações que a ela são filiados. Ou seja, não ingerimos nas políticas administrativa, organizativa e financeira das nossas entidades e suas direções. Elas têm autonomia e, por serem filiadas à central tem um encontro filosófico com nossos princípios de defesa dos trabalhadores enquanto classe. E isso é determinante para nós CUTistas, pois nos dá identidade sindical de lutar pela organização das trabalhadoras e trabalhadores em sindicatos, federações e confederações. Isso tira o sindicato e os trabalhadores do isolamento das lutas socioeconômicas e busca inserir as trabalhadoras e trabalhadores como cidadãos. Ser filiado a central sindical é um forte elo que fortalece toda classe trabalhadora e seus sindicatos e, é nesse sentido que se faz a interação entre sindicatos que à CUT são filiados buscando sempre fortalecê-los na luta contra a ganância, avareza e a mais valia praticada pelos patrões, sejam eles privados ou públicos.

A segunda questão é a confusão no sentido de desqualificar o debate que é tentar confundir o sindicato com o partido. E isso é feito muitas vezes por quem não tem propostas concretas para a categoria e daí reforça a questão de fazer a disputa eleitoral pela desqualificação. Quem já não ouviu: isso é coisa da CUT e do PT! Então, é importante reafirmar que o partido é uma coisa e sindicato é outra. Porém, sociologicamente falando os dois tem sua importância na sociedade. O Sindicato para buscar melhorias salariais, benefício, melhores condições de trabalho, melhores condições de saúde, combate ao assédio moral e sexual dentro dos locais de trabalho. E em nossos sindicatos CUTistas, nós desenvolvemos e incentivamos o conceito de sindicato cidadão, onde em nossas pautas de negociações com os patrões e com os governos estão sempre apontados o combate a LGBTfobia, ao racismo e o machismo. A descriminalização social, a interação e a participação política das nossas entidades em conselhos gestores de diversas áreas sociais, como conselho do trabalho, conselho de saúde, conselho de políticas para mulheres, conselho de educação, conselho da economia solidária, etc. Ou seja, a participação em órgãos que destacam a cidadania das trabalhadoras e trabalhadores enquanto classe, para melhor viver em sociedade.

Já o partido político tem outra função na sociedade, que é estar à frente das lutas sociais e de melhoria de vida nas cidades, nos estados e no país, para todos que nele vivem, possam viver melhor. Cada partido tem sua ideologia e suas causas e as pessoas que se identificam com os partidos seguem essas causas e ideologias para tentar ao seu jeito tornar melhor os lugares aonde vivem, buscam melhorias na educação, na saúde, no saneamento básico, no esporte e na cultura, enfim em todas as áreas de convivem comum, ou seja, buscam construir condições objetivas de bem viver e moldam esse conceito a conceitos sócios políticos desenvolvidos na história, como os conceitos de modo de produção socialista e capitalista e suas derivações, o que na sociologia caracterizamos como esquerda, centro e direita.

Mais o que importa nessa discussão, centrada nas eleições da APP é que toda professora, professor, funcionária e funcionário de escola que é filiado ao sindicato é membro da APP/Sindicato. Porém, podemos dizer com tranquilidade, pois a grande maioria das sindicalizadas e sindicalizados aos sindicatos não são filiadas ou filiados ou militantes de algum partido político, e isso inclui a APP. Ou seja, vale aí o princípio que já destacamos acima da liberdade de autonomia sindical. Portanto, se utilizar desse argumento de que as coisas são misturadas é uma tentativa de desqualificar o debate, pois qualquer pessoa que queria ser filiada a um partido pode fazê-lo, mas para ser diretor ou filiado da APP/Sindicato tem que ser membro da categoria, ou seja, tem que necessariamente ser ou professor ou funcionário de escola, somente isso é que o dá direito a pertencer à categoria.

E com relação à questão eleitoral propriamente dita. Como a APP/Sindicato é o maior sindicato filiado a nossa central. Sempre com o norte de preservar o princípio da liberdade de autonomia sindical, buscamos e fizemos todos os esforços políticos e organizativos que estavam ao nosso alcance para que pudéssemos conformar uma chapa só no campo de atuação CUTista, Inclusive isso apontado como orientação e aprovado como resolução política da 15ª Plenária/Congresso Estadual Extraordinário da CUT/PR realizado em junho passado, onde determina que não haveria e, não haverá reconhecimento de chapa de oposição CUTista em sindicatos já filiados à Central. Infelizmente não obtivemos êxito. O processo derivou para a construção de mais de uma chapa no que consideramos o campo progressista. E como há uma resolução política sobre o assunto à única chapa que terá o apoio da CUT/PR será a Chapa 1 – Somos Mais APP, pois a atual direção da APP/Sindicato é filiada à nossa central. Mas o que é fundamental frisar que todas as iniciativas, sempre e, em todos os momentos partiram do pressuposto que nossos adversários políticos e inimigos da educação estão arregimentados em outras fileiras que não no campo político do espectro progressista e muito menos em setores que buscam espaço no movimento sindical para se consolidar através de práticas anti-CUTistas.

Não conseguimos conformar somente uma chapa do campo progressista como queríamos. E isto é da política e faz parte. Porém, avaliamos ser um erro de visão estratégica de um coletivo político que estava pensando somente em ter nas mãos a máquina administrativa da APP/Sindicato, sem fazer a necessária leitura do momento político e conjuntural que atravessa a categoria e todo movimento social, que sofre ataques cotidianos por parte do governo Beto “Dias” Richa do PSDB com o claro viés da desqualificação e da confusão política que descrevemos acima. E também em não considerar os avanços e conquistas políticas em defesa dos direitos das professoras e professores, funcionárias e funcionários de escolas que essas últimas gestões da APP representam, que, aliás, foi muito além, pois canalizou a defesa do interesse de dezenas de milhares de servidoras e servidores públicos, ao ser a APP uma das principais protagonistas das lutas da resistência contra a retirada da previdência de todos os servidores, que infelizmente se traduziram por parte do aparato da política do estado no triste evento do dia 29 de abril. Dia marcado na memória de toda à categoria e da população em geral do Paraná como marca do desprezo que esse desgoverno atual tem em relação à educação.

Portanto, cabe a nós da Central Única dos Trabalhadores desfazer a tentativa de causar confusão por parte daqueles que não tem propostas claras e objetivas para a categoria e por isso se utilizam dos argumentos da desqualificação e da confusão para tentar surfar na onda de uma oposição política sem consistência efetiva. O que avaliamos não terá muito efeito prático, pois, a legitimidade e o trabalho desenvolvidos na última gestão direção da APP/Sindicato sobre a liderança do professor Hermes Leão que, aliás, faz jus ao seu nome o credenciam para tranquilamente, continuar as lutas em defesa das professoras, professores, funcionárias e funcionários de escola através do pleito de um segundo mandato, que vem fortalecido pela resistência ao histórico de agressões e violência à categoria, praticadas por esse desgoverno do PSDB que somente entende e se curva a linguagem e das grandes mobilizações e resistências que tem sido feitas por essa gestão.

Assim, sem pestanejar e buscando escapar da armadilha da desqualificação e da confusão política, não temos receio algum em dizer abertamente que a garantia para APP/Sindicato continuar a trilhar o importante caminho das lutas socioeconômicas e cidadãs estão depositadas na Chapa 1 – Somos Mais APP.

Marcio Kieller é Secretário Geral da CUT/PR e Mestre em Sociologia Política pela UFPR    

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