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Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região: 85 anos de histórias, lutas, resistência e conquistas

Escrito por: Márcio Kieller, secretário-geral da CUT Paraná

06/07/2017

 


Hoje dia 06 de julho o Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região completa 85 anos de história, resistência, lutas e conquistas. Como dimensionar o tamanho da contribuição dada por esse sindicato octogenário na história política das bancárias, bancários, financiarias e Financiários a da classe trabalhadora como um todo?

A história política da nossa republica em termos de cronologia é muito recente não tem mais que 130 anos, desde a época que o Brasil se organizava e se denominava Estados Unidos do Brasil, onde imperava a força e a vontade política dos dois maiores e mais populosos Estados do Brasil. Isso lá pelos idos da década de 1930 quando o Brasil vivia uma efervescência política de mudança de rumo no país, onde deixaria de ser uma união de Estados, onde prevalecia a força política de Estados mais fortes para se tornar o que queriam os precursores da revolução de 1930 um Estado nação. Pois até então o que vigorava era a força política conhecida política da Republica Velha, mais originalmente conhecida como Republica do café com leite, onde a constituição do poder central era predominantemente exercida pelos Estados de São Paulo, maior produtor de Café do Brasil e pelo Estado de Minas Gerais maior produtor de leite. O que gerava descontentamento político em outros Estados como o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia, dentre outros.

Na efervescência política da ascensão do primeiro Governo de Getúlio Vargas, colocado no poder pela Revolução de 1930, o que dava uma faceta mais nacional para o país e também para as organizações sociais, como os sindicatos que passavam extrapolar os limites dos Estados e a ter um mínimo de organização nacional. É nesse período que surge o Syndicato dos Funcionários Bancários do Paraná e que em 1934, altera seu nome para Syndicato dos Bancários do Paraná, representando uma das categorias mais fortes da época que eram os bancários, pelo papel determinante que a economia e o dinheiro ocupavam na sociedade. Dentre as demais existentes que eram os ferroviários, os têxteis, os comerciários, os portuários, Ou seja, os bancos eram as casas de dinheiro que faziam com que todo o montante de dinheiro produzido nos Estados circulasse, rendesse e ajudasse na produção e no desenvolvimento de importantes áreas sociais.

Nesse período de surgimento do sindicato e também da época que em que eclodia a Revolução Federalista, resistência as mudanças em curso no Brasil, capitaneada por São Paulo que não queria abrir mão da supremacia histórica que exercia até então como Estado mais forte e soberano nos destinos dos Estados Unidos do Brasil. É nesse contexto que nasce abrangendo diversas regiões do Estado do Paraná, nossa entidade de representação dos bancários e Financiários de Curitiba região, primeiramente denominado o Syndicato dos Funcionários Bancários do Paraná com sede na capital Curitiba e que fora fundado no dia 06 de julho de 1932, ou seja, que este ano completará seus 85 anos. Através da destacada atuação de Laélio Cunha Malheiros, primeiro Presidente, João Navolar, Secretário Geral e Joaquim Tramujas, Primeiro Secretário, que foram os fundadores do Sindicato.

Já em 1933, uma grande luta mobiliza os sindicatos estaduais de bancários que foi a luta por uma jornada de trabalho menor e menos extenuante para as bancárias e bancários. E numa construção de muita organização luta e resistência, através de uma greve nacional no ano de 1933, obtém se a conquista da jornada de 6 horas para a categoria bancária. A conquista da jornada reduzida para os bancários acendeu a possibilidade de uma organização em nível nacional a que pese ainda com muita força nos estados. Mas a conquista foi para bancários de todos os Estados onde estavam organizados os sindicatos.

Muitas lutas e conquistas se seguiram de lá para cá, com a transformação da economia e o fortalecimento de um capitalismo industrial, os bancos cresceram e se multiplicaram, o que fez com que a categoria bancária da época também tivesse um salto no número bancários e de novos bancos que surgiam, ou seja, a categoria também cresceu consideravelmente. Mas essas lutas políticas do Sindicato nos últimos 80 anos, já são conhecidas e estão sistematizadas no Livro: A História do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, suas lutas e suas conquistas. Obra a qual coordenei a elaboração juntamente com a Jornalista Patrícia Stedile, que marca a passagem dos 80 anos do Sindicato e que pode ser consultado on-line pelo link: https://issuu.com/seeb_curitiba/docs/80_anos. Ou seja, nos dispensa de uma análise histórica mais aprofundada dessas oito décadas, para que possamos focar nas últimas gestões do Sindicato dos bancários e Financiários de Curitiba e Região.

A organização sindical sempre exigiu das gestões a frente do sindicato organização e muita luta, principalmente nos governos democráticos e populares que ajudamos a eleger, pois inclusive neles que se tratavam de governos de coalisões, tivemos que brigar muito com os banqueiros de bancos privados. Sempre com a altiva postura política que norteou as ações do movimento sindical bancário de Curitiba e Região e de todo o movimento sindical bancário cutista no Brasil de autonomia e independência na firme exigência da ampliação e manutenção dos direitos das bancárias, bancários, financiários e financiarias frente aos banqueiros e aos patrões, como no caso dos bancos públicos onde o Governo Federal era o responsável pelas políticas do Banco do Brasil e de Caixa Econômica.

O mundo, o Brasil e a América Latina como um todo viveram nessas últimas décadas um período de ascensão das políticas progressistas, ditas de esquerda. O que possibilitou também a ascensão da organização do movimento sindical numa atmosfera de governos democráticos, mas não governos propriamente dito a serviço da classe trabalhadora. Afinal para sobreviver o capital vadio que historicamente sobrevive da especulação encontrou guarida na produção e nas políticas nacionais desenvolvimentistas de diversos governos pela América Latina a fora e, também aconteceu no Brasil, com menos intensidade, pelo fato de aqui termos tido uma postura de fazer transformações dentro do sistema político e isso pressupõem a aceitação de regras já estabelecidas. Ou seja, a ascensão do governo democráticos somente foram possíveis porque havia a política de duas pontas a partir de 2002, foram governos que governaram para os muitos pobres e tiveram politicas importantíssima de inclusão social, aliadas a políticas de valorização dos trabalhadores e dos salários. Mas também governos de coalisão forçava que houvesse políticas para a outra ponta, com isenções e incentivos fiscais, desonerações de folha. Além de não mexer com políticas de juros, não mexer com as grandes fortunas e não mexer com privilégios históricos das classes empresariais e financeiras dominantes e em muitos casos sem com a contra partida desses gananciosos setores.

Essa posição política de governabilidade fez com o tempo que os governos passassem a ser reféns das antigas classes empresariais dominantes, pelo simples fato de que nas eleições essas classes constituíram bancadas parlamentares e no nosso sistema político de presidencialismo de coalisão o executivo é totalmente dependente do Congresso nacional. E o pior totalmente dependente do mais reacionário e conservador Congresso Nacional já eleito desde o golpe civil e militar de 1964. Ou seja com o tempo houve o enfraquecimento da aplicação de políticas públicas que estavam incluindo a maioria do povo brasileiro, disponibilizando acesso a política de inclusão, de acesso à educação e de participação como foram as centenas e históricas conferências nacionais realizadas em diversas áreas, além de um novo crescimento do desemprego no país. Todas esse processo de inclusão dava a impressão as classes que antigamente estavam no governo de que se não fosse arquitetado um golpe institucional, pela via eleitoral se levaria muito tempo para tirar do poder o projeto de democrático e popular que se encontra em curso desde 2002. Assim, organizou se o golpe institucional e parlamentar de 2016, com o argumento mais estapafúrdio que se poderia usar contra uma presidenta honrada e democraticamente eleita, as pedaladas fiscais, instrumento que todos os governos democráticos pós abertura política se utilizaram. Ou seja, como não encontravam argumentos de disputa política na sociedade a saída que restou as essas elites foi o golpe foi dado através do tapetão jurídico. Ao que se prestaria o golpe o movimento sindical sempre procurou alertar a classe trabalhadora, que sua efetivação se daria com uma enorme retirada de direitos e retrocessos sociais, o que fato visualizamos nos dias atuais, a resistência política para evitar a retirada de direitos.

Na efervescência política do combate a tentativa de implementar a terceirização no Brasil a qual conseguimos evitar naquele período que vivíamos em 2014 e juntamente com as campanhas salariais que historicamente buscam cessar a ganância dos quatro ou cinco grandes banqueiros que dominam o sistema financeiro nacional, e que diga-se de passagem em todas as campanhas realizadas pelo Sindicato de Curitiba e pelo movimento sindical bancário cutista nacionalmente, sempre foram campanhas em que se realizaram greves e que também trouxeram um mínimo de conquistas e ganho real para a categoria. Mas depois das eleições de 2014 em que as elites políticas e empresariais do pais, perderam as eleições mais uma vez e deixaram de acreditar na possibilidade de recuperar o governo pelo processo eleitoral começou a se articular o golpe de Estado no País. Com a cooptação de setores estratégicos da economia, inclusive os bancos, implementou se uma orientação para que o empresariado tirasse o pé de uma política econômica de investimentos que vinha em franca expansão e desenvolvimento, chegando ao Brasil a atingir o quase pleno emprego em meados de 2014.

Mas esses setores das elites empresariais que ganhavam muito dinheiro nos governos democráticos e populares pela política das duas pontas, como dissemos, abriram os olhos da ganância e, com a promessa que lhes foi feita para que ajudassem as antigas e apodrecidas elites políticas a voltarem ao governo, em troca do éden capitalista, que incluía todas as reformas que se encontram em curso no Brasil hoje, ou seja diminuição do papel do Estado, a volta da política de privatizações, entrega das nossas riquezas como o petróleo, com a terceirização sem limites, com a retirada de direitos e as reformas trabalhistas e da previdência, isso sem contar com um arrojado plano de mudança educacional para formar futuras gerações obedientes ao capital, que foi a reforma do ensino médio.

E nesse contexto que assume a presidência da nova gestão política do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região o dirigente sindical Elias Hennemann Jordão, para a conduzir a gestão 2014/2017. Já em 2014 a direção do sindicato sentiria a guinada conservadora e neoliberal que se abateria na América Latina e no Brasil. E desde o início foram combatentes de primeira hora contra os retrocessos que o reacionário Congresso Nacional Conservador tentava impor goela abaixo da classe trabalhadora e também das categorias bancárias e financiarias, como por exemplo a terceirização, que naquele momento político de 2014 não era ainda esse projeto que é muito pior e que foi aprovado que permite a terceirização sem limites.

Mas com o do Golpe Institucional e parlamentar de 2016 que se aplicou no Brasil. As coisas pioraram e Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região intransigente na defesa dos direitos das categorias bancárias e financiarias que nunca deixou de exercer a resistência e foi para as ruas em defesa da democracia e contra as reformas e a retirada de direitos, sendo um dos instrumento de luta importantíssimo das trabalhadoras e trabalhadores, não só bancários e Financiários, mas da classe trabalhadora como um todo para organizar a luta, sendo fundamental para organizar a resistência.

E essa conduta da direção do sindicato tem sido reconhecida pela categoria bancária e financiaria, pois nas eleições sindicais a categoria bancária e financiaria reconduziu a direção que estava à frente do sindicato para mais um mandato de três anos a frente das lutas sindicais. E isso justamente no ano em que o sindicato completa seus longevos 85 anos de existência política. O que nos dá orgulho e a certeza política a de que não haverá entrega de direitos da classe trabalhadora sem luta e sem resistência.

Comemorar esses 85 anos numa conjuntura política adversa de resistência as reformas trabalhistas e da previdência que são a nítida entrega os nossos direitos adquirido com muita luta nessas décadas todas, E dar significado e valorizar os esforços de todas aquelas lideranças políticas que já estiveram à frente das lutas políticas e econômicas que e redundaram na construção do nosso sindicato forte e atuante como é até os dias de hoje, muitos desses que inclusive tombaram ou tiveram grandes pernas pessoais e profissionais nas lutas. Nossas lutas de hoje honram seus nomes e seus legados históricos de defesa da classe trabalhadora bancária e financiaria. E cada dia de resistência e de busca pelo pronto estabelecimento da democracia e dos direitos das trabalhadores e trabalhadores do Brasil estará compondo essa belíssima história de lutas.

O ano de 2017 é cheios de significados históricos para a classe trabalhadora, principalmente para bancárias, bancários, financiarias e financiários, por que além do aniversário de 85 anos de fundação do sindicato, é também o ano que se comemora os 100 anos da primeira Greve Geral no Brasil e também o centenário da ascensão ao poder na Rússia da classe operária instituindo através um governo popular e democrático a partir da perspectiva da classe trabalhadora que foi da Revolução Russa de 1917, evento histórico que influenciou a organização dos trabalhadores e a organização sindical em todo mundo permitindo maiores conquistas e avanços com o rompimento de relações de trabalho arcaicas e medievais que vigoravam na época, onde se chegava ao absurdo de homens, mulheres e crianças trabalharem até por 18 horas por dia. E contra esse tipo de opressão que existia no século retrasado e, que corremos o risco ver novamente implementados por essas elites políticas que legislam uma suposta “modernização das relações trabalhista” em nome dos banqueiros e grandes empresários, de excesso de trabalho e ausência de direitos e benefícios para a classe trabalhadora que se organizou a luta da categoria bancária nos anos 30 e se fundou o sindicato dos bancários e que se ampliou nos dias de hoje também para à categoria financiaria.

E ao completar seus 85 anos de história, lutas e conquistas para bancárias, bancários, financiarias e Financiários, é que desejamos parabéns pelas lutas e destacamos a importância das trabalhadores e trabalhadores dessas categorias visitarem e conhecer a história política de sua octogenária entidade para que que saibam e também deem valor a organização sindical e a tudo que foi conquistado. Pois não há uma conquista ou benefício sequer que essas categorias tem nos dias de hoje que não tenha sido conquistado com muita organização, resistência e luta.

Viva as categorias bancárias e financiarias! Viva os 85 anos de História, lutas e conquistas do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região Metropolitana. Viva a classe trabalhadora, composta por homens e mulheres de luta.

Márcio Kieller
Mestre em Sociologia Política pela UFPR, Dirigente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região e Secretário Geral da CUT/PR.  

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