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Fetec/CUT/PR - 25 anos organizando as bancárias e bancários do Paraná

Escrito por: Junior Cesar Dias e Marcio Kieller

30/01/2017

Quando uma entidade ultrapassa a casa dos 25 anos de existência o mínimo que pode se dizer dela é que sua fundação foi acertada. Com relação à Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná/FETEC/CUT/PR podemos ir além, podemos afirmar com olhos voltados para os 25 anos que se passaram desde o dia 19 de Janeiro de 1992 na cidade de Londrina, no Paraná, quando aconteceu o seu congresso de fundação. Podemos afirmar que sua criação foi fundamental para a organização e a luta das bancárias e bancários do Estado do Paraná.

Na toada do processo de criação da Confederação Nacional dos Bancários, a CNB, que crescia e ganhava sindicatos no Brasil inteiro para o sindicalismo classista da Centra Única dos Trabalhadores - a CUT, nascia também a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná. Que carinhosamente ao longo do tempo passou a se dominar FETEC/CUT Paraná. Já nasce em um momento de efervescência política de resistência ao entreguismo e a onda política de privatizações do Governo Collor de Melo que naquele ano seria alvo de um impeachment, aquele sim, legítimo e com crime estabelecido. Muito diferente do impeachment sem crime, ou seja, o golpe político institucional aplicado em uma mulher honrada que ocupava a Presidência da República.

Mas no período após a sua fundação, além de uma política recessiva e excludente que tinha como cartilha o marco teórico e econômico que ficou conhecido nos anos noventa como Consenso de Washington e que varria os continentes com uma onda conservadora e neoliberal, sem precedentes no mundo todo. O que agravava os problemas da sociedade como um todo e da categoria bancária naquele período, que já não eram poucos. Uma onda de privatizações em diversos setores que vinha desfigurando nosso parque industrial como o setor de ferro, as siderúrgicas como a Usiminas e Companhia Siderúrgica Nacional a CSN – Volta Redonda que foram vendidas a preço de banana para grupos privados nacionais, mas com suporte do capital estrangeiro, quando não vendidos diretamente para empresas internacionais.

O Governo de Collor também começa a entregar nossas telecomunicações e nossas mineradoras como a Vale do Rio Doce, entra tantas outras empresas. A onda privatista crescia ainda sua vontade para patrimônios históricos dos brasileiros, como a Petrobrás, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e os bancos regionais, além da tentativa de entrega dos bancos públicos estaduais que vai se consolidar na virada do milênio, quando diversos bancos públicos estaduais foram privatizados, tais como BANERJ, BEG, BEMGE, dentre outros inclusive com a entrega do Banco Estatal do Paraná, o Banestado no ano 2000.

O Entreguismo de nosso patrimônio vinha aliado a outros retrocessos como o processo de introdução dos correspondentes bancários, ou seja, onde a maioria são trabalhadores não bancários de formação, assumindo a função de trabalhadoras e trabalhadores bancários. A ação dos banqueiros teve enorme impacto na categoria bancária nos anos noventa juntamente com o processo de automação bancária e a recessão econômica, processos que deixaram centenas de milhares de bancárias e bancários sem empregos. Muitos inclusive tiveram que se adaptar a esse novo mercado de salários e conquistas reduzidas. Pois tinham perdido seus empregos nos bancos e foram para os correspondentes bancários. Esse era o cenário político da época.

O movimento sindical bancários enfrentava dificuldades e a sua organização não estava dando conta dessas novas demandas, pois setores históricos de representação dos bancários representados pela Confederação Nacional de Trabalhadores em Empresas de Crédito, a CONTEC e sua federação no Paraná estavam acomodados para a luta e não exercitavam a democracia interna necessária para a participação efetiva dos trabalhadores nas esferas de decisão do movimento sindical. O que levou a significativa parcela dos dirigentes sindicais bancários da época a fazer uma opção politica de aproximação do movimento sindical cutista, a época capitaneado pelo Departamento Nacional dos Bancários DNB/CUT. Esse novo momento de aproximação levou a criação como dissemos das Federações Estaduais de Bancários e também da Confederação Nacional dos Bancários, ligados a CUT.

Já no início da federação cutista se aliam diversos sindicatos, sendo eles. O Sindicato dos Bancários de Londrina e região, o Sindicato dos Bancários de Cornélio Procópio e região, o sindicato dos Bancários de Apucarana e região, o Sindicato dos Bancários de Arapoti, o Sindicato dos Bancários de Paranavaí e região, o Sindicato dos Bancários de Campo Mourão, o Sindicato dos Bancários de Toledo e Região, o Sindicato dos Bancários de Umuarama e o Sindicato dos Bancários de Assis, esses dois últimos unificarão as suas bases posteriormente. E também participarão pessoas da oposição do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região. Anos depois somaria-se ao movimento sindical cutista o Sindicato dos Bancários de Guarapuava e região, importante e estratégico para o fortalecimento do movimento sindical bancário no Paraná por estar geograficamente localizado no Centro do Estado.

Além de nortear a construção política das questões econômicas, sociais da vida política dos seus dez sindicatos filiados a FETEC nasce com forte influência da política de construção da cidadania sindical. Ou seja, com a concepção de seus sindicatos filiados, de sindicatos cidadãos. Pois existem em suas regiões com firme atuação política que amplia o horizonte das questões meramente econômicas e atua na vida da sociedade com participação efetiva em conselhos, de Saúde, transportes, emprego, juventude, de política de gênero, raça e orientação sexual. A luta política de consolidação da nossa federação a lançou em diversas campanhas estaduais e nacionais, como a defesa do patrimônio nacional, das estatais, dos direitos e da democracia, com participação ativa dos seus dez sindicatos. Além da construção histórica da Campanha Nacional Unificada entre os bancos públicos e bancos privados, sendo a única categoria que conseguiu até os dias de hoje estabelecer uma Convenção Coletiva Nacional que vale para bancárias e bancários do Brasil inteiro do Oiapoque ao Chuí.

Desta forma constituiu-se como umas das principais e mais importantes referências em termos de organização e mobilização para as mais diversas categorias de trabalhadoras e trabalhadores. Sendo sua estrutura vertical uma das mais fortes e respeitadas. Sempre com posicionamento firme e calcado em pilares da representação classista e solidária, pois são entidades antenadas com a participação política, chegando inclusive a em diversos momentos da luta política a oferecer os seus mais bem preparados quadros, homens e mulheres dirigentes bancários para concorrem a diversos processos eleitorais, as eleições proporcionais e gerais, contribuindo com grandes nomes para a política Paranaense. Todos esses motivos nos fazem olhar para essas duas década e meia de existência da FETEC/CUT/PR e refletir o tamanho da responsabilidade política que ela adquiriu estando na linha de frente dos maiores processos de resistência política até os dias de hoje e da aplicação das políticas neoliberais que empobrecem nosso povo e trazer o desemprego a miséria e a carestia para a classe trabalhadora.

Para a FETEC/CUT/PR o ano de 2017 é um ano ímpar, importantíssimo, por ser um ano comemorativo da sua história, mais também é um ano onde as lutas políticas e sociais exigiram um grande compromisso das nossas entidades que tem concepção classista, pois estamos em meio ao golpe institucional e parlamentar e, uma ditadura midiática. Que vai exigir toda nossa capacidade de luta. Vai ser um ano onde teremos enormes testes de resistência política, tentando evitar o desmonte do estado brasileiro e o fim das políticas públicas conquistados nos governos democráticos e populares. Enfim, lutaremos arduamente para que possamos reestabelecer a democracia em nosso país, barrar a reforma da previdência, para que possamos salvar a possiblidade que as trabalhadoras e trabalhadores brasileiros possam se aposentar com dignidade e ter tempo para aproveitar suas aposentadorias. Também continuaremos a nossa incansável luta contra o processo de terceirizações e privatizações. Todos esses processos de lutas são fundamentais, e precisam ser enfrentados e exigem que a FETEC/CUT/PR seja um dos instrumentos de organização social da resistência.

A nossa federação consolidou se e passou a ter um papel estratégico na sociedade do Paraná e do Brasil. Regozijemos com as bancárias e bancários juntamente com os dez sindicatos que constituem a federação cutista das bancárias e bancários do Paraná por seus 25 anos de lutas e conquistas e que no regozijo nos preparemos para as lutas vindouras.

Parabéns as bancárias e bancários do Paraná! Parabéns FETEC/CUT pelos 25 anos de vida e história política!

Junior Cesar Dias
Presidente da FETEC/CUT/PR

Marcio Kieller
Secretário Geral da CUT/PR e dirigente da FETEC/CUT/PR  

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