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O golpe de 2016 ainda está em curso

19/06/2017

Parlamentares e sindicalistas são unânimes ao avaliar que o movimento que retirou Dilma Rousseff ainda está em curso.

Escrito por: CUT Paraná



Parlamentares e sindicalistas foram os responsáveis por debater o tema “O golpe de 2016 e suas consequências” durante o primeiro painel da tarde de sexta-feira (16) do Congresso Extraordinário da CUT Paraná. Todos foram unânimes ao avaliar que o golpe que retirou da presidenta Dilma Rousseff do Palácio do Planalto ainda está em curso.

“O Golpe de 2016 não parou, ele ainda está em curso e nós não podemos errar nesta conjuntura. Por isso é preciso debater muito, precisamos ter confiança em nossas ações”, afirmou o secretário de comunicação da CUT Nacional, Roni Barbosa. Ele reforçou a importância da construção da unidade da classe trabalhadora como um dos principais instrumentos para combater os retrocessos sociais em curso.

“O ápice dessa nossa luta, até o momento, foi a Greve Geral no dia 28 de abril. Foi um sucesso porque envolveu toda essa grande unidade. Mas também porque estamos construindo isso há muito tempo”, completou.

Para o dirigente é preciso fortalecer a comunicação, um dos pontos falhos dos movimentos sociais nos últimos anos. “Não temos um instrumento consolidado para dialogar com a população. Nós temos mais ou menos 1/3 da população de esquerda, 1/3 de centro e 1/3 de direita. Mas não conseguimos nem conversar com o percentual de esquerda, muito menos com o centro”, exemplificou Roni citando dados da pesquisa CUT/Vox Populi. O mesmo inquérito mostrou a ampla rejeição das reformas trabalhista e da previdência.

Estas reformas, aliás, são pilares centrais do golpe em curso e é justamente por este motivo que Michel Temer assumiu a Presidência da República. “O Temer exerce o poder e o faz sem vergonha. Faz tudo o que tem ao seu alcance para manter esse poder e fazer cumprir o programa para o qual ele foi destinado. Quem hoje fala em pedalada fiscal?”, questionou a secretária de relações com os movimentos sociais da CUT Nacional, Janeslei Albuquerque.

De acordo com ela, a Reforma da Previdência jogará na miséria 40 milhões de idosos no Brasil. “Não temos idosos mendigos no Brasil porque hoje 82% deles recebem pelo menos acima de um salário mínimo. O Congelamento que passa a valer a partir do ano que vem congela toda a seguridade social por 20 anos. Então como é que nos armamos para isso? Esse é o desafio dessa conjuntura”, completou. Ainda segundo Janeslei, o golpe também tem como missão exterminar organizações de resistência. “Como fortalecemos nossas entidades se a reforma trabalhista vai varrer 75% dos sindicatos do nosso País?”, questionou.

Segundo ela, a onda de ataques às entidades sindicais faz parte deste projeto. “Quem lembra do voto do Fernando Francischini a favor do golpe? Pelo fim da CUT eu voto sim. É só ele que quer o fim da CUT? Aliás, é ele? Ou ele é porta-voz de outros interesses? Quando o Francischini e o Bolsonaro dizem que tem que acabar com a CUT e com o MST os trabalhadores e trabalhadoras deveriam perceber que tem alguma coisa errada”, comentou.

O deputado estadual Professor Lemos (PT) lembrou que embora os gastos públicos passem a ser congelados por 20 anos a partir do ano que vem, a população não para de crescer. “Seremos 50 milhões a mais de brasileiros daqui 20 anos”, avaliou. “A redução do estado no investimento para gerar emprego, para gerar renda, resultará na exclusão. A pobreza está aumentando, assim como a miséria. Nosso povo está voltando a passar fome”, lamentou.

Lemos classificou com a reforma da previdência não “apenas como maldade, é crueldade”. Para reunir 40 anos de contribuição previdenciária são necessárias 520 contribuições mensais. “Um trabalhador brasileiro em média consegue pagar nove parcelas por ano, mas é obrigado a pagar 13. Dá 57,7 anos para reunir esses 40 anos de contribuição. Se ele começar a contribuir com 20 anos, que é a idade média, se eleva para 78 anos a idade média de aposentadoria. Mas a expectativa de vida, arredondando para cima, é de 75 anos. Morreremos antes de alcançar a aposentadoria. Isso não é reforma, é extinção”, enfatizou.

Já o deputado estadual Tadeu Veneri afirmou que o golpe está demonizando o Estado. “Nesta visão o estado é ineficiente, não serve para nada e há corrupção em todos os momentos. É um todo um processo de retirada do estado que tem seu papel social”, contrastou.

Para Veneri, a verdadeira corrupção não está no meio político, que é intermediário da corrupção. “A verdadeira corrupção é se apropriar do orçamento e destiná-lo para os seus”, provocou Veneri.

Segundo ele, o que move a história não é a utopia, mas sim a necessidade. “Me convenço disso quando vejo nós reunidos nesta situação extraordinária. O que nos traz aqui? Não são as utopias. São as necessidades. Necessidade de enfrentar uma conjuntura completamente diferente do que tínhamos nos últimos 13 anos”, ponderou.

Veja as fotos do Congresso clicando aqui
 

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