CUT PR > LISTAR NOTÍCIAS > DESTAQUE CENTRAL > FÓRUM SOCIAL É PALCO DO LANÇAMENTO DE NOVO VOLUME DA 'ENCICLOPÉDIA DO GOLPE'

Fórum Social é palco do lançamento de novo volume da 'Enciclopédia do Golpe'

15/03/2018

"Este ato tem uma simbologia muito grande", diz organizadora, lembrando que a primeira edição foi lançada durante o julgamento de Lula, em janeiro

Escrito por: RBA

Na tarde desta quarta-feira (14) o Fórum Social Mundial, que começou ontem em Salvador e vai até sábado, foi palco do lançamento do livro Enciclopédia do Golpe Volume 2 – O papel da mídia. O livro traz 28 textos de jornalistas, cientistas políticos, economistas, juristas e ativistas que tratam sobre como a mídia corporativa influenciou na efetivação do impeachment da presidenta eleita em 2014, Dilma Rousseff, em 2016. O evento fez parte da agenda da CUT no Fórum.

O livro foi organizado pela jurista Mirian Gonçalves, que esteve na mesa de lançamento. “Foi muito difícil e trabalhoso lançar essa obra. Este ato tem uma simbologia muito grande. Lançamos a primeira edição em Porto Alegre quando o Lula foi julgado no Tribunal Regional Federal (TRF4). Ainda temos seis volumes pela frente. Temos grandes autores que se empenharam de forma voluntária nesse projeto. Ninguém ganhou nenhum centavo e espero que todos se apaixonem por ele, assim como eu me apaixonei”, disse.

A ex-ministra da extinta pasta de Políticas para Mulheres (governo Dilma) Eleonora Menicucci assina um dos textos. “O projeto desse livro é uma questão fundamental para o Brasil, uma questão de memória e verdade. Nós que fomos da geração presa em 1964 não admitimos viver mais uma ditadura. Lutamos desde aquela época pela memória e verdade do que aconteceu naqueles anos. Esse livro é isso neste golpe de 2016”, disse em referência à ditadura civil-militar (1964-1985).

Em seu texto, Eleonora fala sobre aspectos do golpe relacionados ao fato de Dilma ter sido a primeira presidenta mulher do Brasil. “Fui a primeira a escrever que o golpe tem diferentes facetas. O golpe de 2016 é sexista, misógino, patriarcal, fundamentalista, hipócrita, rentista, judiciário e, sobretudo, midiático”, disse. “Não tenho dúvidas de que esse golpe foi para estancar um governo de inclusão social. Os governos Lula e Dilma foram os que colocaram no orçamento, na política, as mulheres, a população negra, os indígenas, os LGBTI”, completou.

O jornalista Camilo Vannuchi falou sobre as chamadas fake news em um capítulo. "Mas percebi que o livro inteiro fala sobre isso. É impossível falar do papel da mídia nesses últimos anos sem falar das mentiras. Fiquei lembrando de uma revista semanal que tentou mostrar a Dilma como histérica, louca, que não tinha condições de trabalhar. O texto dizia que ela gritava, quebrava os móveis, mas quem convivia com ela não entendeu nada". Vannuchi lembra que a capa da revista tinha uma foto com gritando, feita enquanto via um jogo, torcendo. "A revista faz uma matéria para sacanear a presidenta e escolhe uma foto que não tem nada a ver."

“A mídia mente quando ela fala, por exemplo, que em uma praça tinha 500 mil pessoas de verde e amarelo e nós sabíamos que não tinha nem 5 mil. Tem um texto no livro, que não é o meu, que mostra um episódio de uma cobertura ao vivo da Globo. Quando entra no ar, a repórter ainda se preparava e ela aparece falando ‘isso, agora vocês se juntem e cantem o hino’. Ou seja, o jornalista, o editor direciona”, completou.

Mino Carta, autor da introdução do livro, aproveitou o espaço para fazer críticas ao PT e à esquerda brasileira. “Vejamos bem como se deu o golpe de 2016. Vamos encarar a situação com frieza, honestidade e desassombro. O golpe se deu porque, ao primeiro sinal de fraqueza de um governo petista, o que aconteceu, eles atacariam. Dilma errou, ela se elegeu com propostas que foram negadas ao chamar para o ministério da Fazenda um banqueiro”, disse em referência ao ex-ministro Joaquim Levy.

Última a falar, a presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disse que o golpe foi para desestabilizar nossa frágil democracia e retirar direitos. "Esse livro nos faz conhecer a história e nos faz preparados para enfrentamentos futuros. As mesmas pessoas que pediram pelo golpe estão vendo que foram enganadas", disse. “A elite brasileira não suportou a democracia formal pactuada no fim do regime militar. Eles defendem a democracia só quando eles estão no poder e com a esquerda na oposição para legitimá-los.”

  • Imprimir
  • w"E-mail"
  • Compartilhe esta noticia
  • FaceBook
  • Twitter

Conteúdo Relacionado

TV CUT
João Felício, presidente da CSI, Confederação Sindical Internacional, presta solidariedade a sindicalistas coeranos presos.
João Felício, presidente da CSI, Confederação Sindical Internacional, presta solidariedade a sindicalistas coeranos presos.

João Felício, presidente da CSI, Confederação Sindical Internacional, presta(...)

RÁDIO CUT
Rede Brasil Atual Somos fortes somos cut

R: João Manoel, 444 - Cep: 80510-250 - São Francisco - Curitiba/PR
Telefone (41) 3232-4649 - Fax (41) 3324-5106 - E-mail: cutpr@cutpr.org.br