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Ágora 18 | As histórias que não contam

09/10/2017

Revista aborda as lutas que têm sido escondidas no Brasil

Escrito por: Manoel Ramires / SISMUC

 

Era uma vez um país das histórias que não são contadas. Nesse lugar, cada vez mais, a informação falsa predomina e a realidade é retaliada. O que vale é quem grita mais, quem conta a melhor lorota. E, de tempos em tempos, as histórias reais são escondidas em algum baú e escondidas em algum porão desativado.

Mas nesse lugar sempre tem também os aventureiros que gostam de espiar pelo buraco, de passar por onde se está escrito “proibido entrar”, que teimam em revelar os segredos que não terminam com “e foram felizes para sempre”. É o caso da reportagem de capa da revista Ágora. Ela conta como em Curitiba a alimentação servida em escolas e cmeis não é bem o banquete que falam. Pelo contrário, antes de chegar ao prato das crianças, o que está em jogo é o controle de quem fornece a comida. O jornalista Pedro Carrano, esse instigador por natureza, percorreu a verdejante e alegre cidade para descobrir que a merenda terceirizada poderia ter um gostinho de comida de vovó se fosse feita dentro dos equipamentos públicos.

Em outra história, contada por Déa Rosendo, ela mostra que o governo golpista acha que a saúde pública é a casa dos três porquinhos. O ministro da saúde, Ricardo Barros, tem assoprado e derrubado diversos programas de reconhecimento internacional apenas para privatizar o atendimento à população.

Já o jornalista Manoel Ramires conversou com Graça Costa. A prosa contada por ela é digna dos contos de terror mais assombrosos. Pessoas sendo ceifadas em seus direitos, trabalhando até morrer, comendo enquanto trabalham, trabalhando enquanto vivem, vivendo enquanto sobrevivem. Tudo isso depois que, num passe de mágica, a “sonhada” reforma trabalhista for implementada no país do gigante belo adormecido.

Agora, o que não te contam de jeito nenhum é que no seu prato tem mais agrotóxico do que comida e que a opção a ele, a agroecologia, é exercida por aquela turma vermelinha que o noticiário diz pra você odiar. Por outro lado, Júlio Carignano visita gente simples e mostra que a história deles é produzir um alimento sustentável e que respeite o meio ambiente.

Nessa edição se dedica um especial espaço em defesa da diversidade. Afinal, cada vez mais no país do faz de conta se apagam, rabiscam e se arrancam páginas de histórias reais apenas por não gostarem de seu colorido. Sendo assim, a sessão “3 cliques” barbariza e traz uma página dupla com Tinna Simpison e sua luz que ilumina e assusta quem vive das sombras do preconceito. Noutro canto de Ágora, Márcio Marins conta que o Brasil, o Paraná e Curitiba têm fechado o livro e recursos para a comunidade LGBTI. A revista ainda abre espaço para mostrar a turma que decidiu sair do armário, pular para fora da casinha e ser protagonista de sua própria história. É o que aborda a coluna “Arte e Cultura em Movimento” sobre “a transgressão da arte.

“Naquele dia faturou mais grana do que o povo na vida toda sem sequer ter pingado uma gota de suor”. Evidentemente que não se trata de um best seller qualquer. É apenas retrato da desigualdade por essas bandas que a coluna “Curtas” conta. Coisas como gente ficando rica com a exploração das pessoas e com sonegação de impostos. Recomenda-se que a leitura dessa sessão de Ágora com o mesmo cuidado que se passa os olhos pela coluna “Pensata”, de Pedro Elói, que aborda os cem anos da revolução russa. Ele explica como essa utopia sobrevive mesmo após tanta gente tentar exterminá-la de fora. E de dentro.

A revista ainda traz um belo texto da ex-deputada Luciana Rafagnin sobre os 60 anos da revolta dos posseiros e o alerta da jornalista Thea Tavares sobre o enfrentamento da violência contra as mulheres. Pois é, nossas heroínas do cotidiano são mortas diariamente enquanto os larápios que nos governam lhes negam abrigo. Essa é, definitivamente, uma história mal contada com a necessidade de escrever novas páginas e capítulos.

Bom, vamos terminando essa apresentação de Ágora 18 falando que a coordenadora do Sismuc, Adriana Claudia Kalckmann nos convida a quebrar uns cadeados e levantar a tampa de alguns baús: “eu tive em mais encontros com a PM do que com a minha família. Levei mais gás de lacrimogêneo no rosto do que pude sentir em algum momento a suave brisa da manhã”, descreve. Adriana, não desista do orvalho. Vamos lavar o rosto e seguir contando histórias não reveladas nas páginas de Ágora com a diagramação da Ctrl S e coordenação de Soraya Cristina Zgoda. Em uma noite fria de lua cheia as estrelas cintilam e nós resistimos em busca de um novo ciclo.

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