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Trabalhadores dos Correios decidem pela manutenção da greve

03/10/2017

Categoria está com atividades paralisadas desde o dia 19 de setembro

Escrito por: Cinthia Alves / Sintcom


Em greve desde o dia 19 de setembro em 21 estados, e desde o dia 26 nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, os trabalhadores dos Correios continuam reivindicando que a direção da empresa volte a negociar com a categoria. A data-base deveria ter ocorrido desde o dia 1º de agosto. No dia 20 de setembro, a direção da ECT se reuniu e aprovou em ata o fim de todos os benefícios concedidos aos trabalhadores no Acordo Coletivo de Trabalho 2016/2017. Ou seja, ficarão sujeitos apenas às obrigações da nova CLT, como salário e vale-transporte.

Em assembleia realizada na última sexta (29), em Curitiba, os trabalhadores decidiram pela manutenção da greve por tempo indeterminado. São cerca de 1.300 trabalhadores em todo o Estado que paralisaram suas atividades. Os Correios possuem 108 mil funcionários, sendo 6,5 mil somente no Paraná.

Na quinta (28), o ministro do TST, Emmanoel Pereira, atendendo a um pedido da direção da ECT, considerou a grave abusiva. A Fentect, federação que representa a categoria, já interpôs recurso. A direção da empresa também já descontou sete dias de salário dos funcionários – alguns nem haviam aderido à greve, o que foi considerado uma prática abusiva e antissindical por parte da empresa. Segundo a Lei de Greve, os descontos ou reposição só podem ser feitos após o término das paralisações e as negociações serem acordadas com as representações dos trabalhadores.

Os funcionários dos Correios querem 8% de reposição da inflação, são contra a privatização da empresa e protestam contra o fechamento dos bancos postais. Também exigem a manutenção dos benefícios conquistados no último acordo coletivo. Por determinação da direção da ECT, os bancos postais deixaram de funcionar a partir do dia 11 de outubro, atingindo 412 agências no Paraná.

O secretário geral do Sindicato dos Talhadores dos Correios no Paraná (Sintcom-PR), Marcos Rogério Inocêncio (China), alerta que a empresa está sendo sucateada para ser privatizada. “Temos o menor salário entre as estatais e desde 2011 sem concurso público. Somos aqueles que trabalham de madrugada, no sol, na chuva, em áreas de enchente, sujeitos a todo tipo de violência, desde assalto a mordidas de cachorro. Só queremos continuar prestando um serviço de qualidade à população em todos os cantos do Brasil, onde a inciativa privada não tem o menor interesse em atuar”, apontou Inocêncio.

Nesta terça-feira (03), os funcionários dos Correios participam de ato nacional em defesa das estatais. A concentração será na sede dos Correios, em Curitiba, com caminhada até a praça Santos Andrade, onde se juntarão a outros sindicatos e centrais de trabalhadores.

Retirada de direitos

Entre as conquistas trabalhistas que a ECT quer retirar dos trabalhadores, destacam-se o fim da obrigatoriedade dos concursos públicos; fim de pagamento de horas extras, instituindo banco de horas; fim da entrega de correspondências pela manhã, já flexibilizando e aumentando a jornada durante a tarde e anoite; fechamento dos bancos postais, extingue as cláusulas de proteção às gestantes, que poderão trabalhar em locais impróprios ou insalubres (salvo se houver recomendação médica, mas o médico será designado pela empresa e não precisa ser um especialista); exclui as comissões regionais que tratam da violência contra a mulher e da violação dos direitos humanos; retira a indenização por morte ou invalidez permanente; exclui textos que dificultem ou criem barreiras para a execução da Dispensa Motivada; extingue a fiscalização do cumprimento do acordo coletivo de trabalho por parte do sindicato e proíbe o aceso de dirigentes sindicais nos locais de trabalho; acaba com a participação dos aposentados nas ações da ECT.

Na área da saúde, a empresa quer cobrar dos funcionários a mensalidade do plano, percentual de utilização por consultas e exames, além de mensalidade extra por dependente; retira o pagamento das remunerações ao empregado inapto para o retorno ao trabalho, enquanto ele aguarda julgamento de recurso no INSS; põe fim no atendimento psicológico para vítimas de assaltos; retira a ginástica laboral, prejudicando especialmente os carteiros; reduz o número de representantes da CIPA e retira a estabilidade provisória deles.

​FECHAMENTO DOS BANCOS POSTAIS
A direção dos Correios fechou os bancos postais em 1836 agências no Brasil, nos estados de AL, BA, CE, GO, MT, PE PI, PR, RN, RR, RS e Interior de SP, ou seja, nas localidades mais distantes, onde a população não tem agências bancárias e precisará se deslocar para outras cidades. A orientação da diretoria dos Correios é para que a população busque locais onde existam agências do Banco do Brasil.

"É um retrocesso e um prejuízo enorme para a população, lembrando que 204 municípios do PR possuem menos de 20 mil habitantes e muitos só contavam com os Correios para serviços bancários e pagamento de benefícios sociais, como o FGTS, INSS entre outros. O Sindicato dos Correios do PR está marcando audiências públicas nas câmaras legislativas nas cidades afetadas para explicar à população os prejuízos decorrentes dessas medidas, além de ingressar com medidas judiciais, algumas já com liminar concedida em favor de se manter essas agências abertas e com segurança armada. Além da população, os funcionários também são afetados, pois acabam sendo transferidos e, muitos, em desvio de função. Trata-se de um claro processo de sucateamento dos Correios visando unicamente a privatização", afirmou o secretário geral do SINTCOM-PR, Marcos Rogério Inocêncio. ​     

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