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Greca sinaliza que não deve negociar reajuste com servidores

29/09/2017

Gestão tem adotado medidas como a renúncia fiscal e priorizado o pagamento de empresas terceirizadas.

Escrito por: Julio Carignano / Sismuc

 

Sem qualquer disposição ao diálogo com o funcionalismo público, o prefeito Rafael Greca (PMN) opta em punir os servidores de Curitiba, que devem ficar com seus salários congelados em 2017, como deu a entender o secretário de finanças, Vitor Puppi, na audiência pública de prestação de contas no dia 27/9. “Não podemos pensar em qualquer majoração, seja reajuste, seja plano de carreira, sem pensar em maior receita. Vamos garantir (reajuste) a partir da certeza de uma receita. Não é possível prometer o que não pode ser comprido”, projetou.

Para o Sismuc, o arrocho salarial é uma opção que faz parte do pacote de maldades do governo. “Imaginávamos que esse seria o caminho de uma administração que sequer recebe seus servidores”, comenta Adriana Cláudia Kalckmann. A opção do prefeito Rafael Greca em jogar nas costas do funcionalismo a conta da crise por meio do “ajuste fiscal” se assemelha à mesma política adotada pelo governador Beto Richa (PSDB) e pelo presidente Michel Temer (PMDB), como lembra Adriana. “No atual momento o funcionalismo público tem pago pelos erros dos gestores”, acrescenta.

A coordenadora de finanças do Sismuc destaca que o aumento de arrecadação da prefeitura e o recente “fôlego” nas contas da gestão Greca se deve ao adiamento do reajuste dos servidores municipais e aos saques feitos no fundo previdência (IPMC). “Nós já estamos pagando essa conta”, diz. Além disso, a administração tem adotado medidas como a renúncia fiscal com perdão de dívidas de pessoas físicas e jurídicas e tendo como prioridade o pagamento de empresas terceirizadas.

Números

Em números gerais, a previsão orçamentária de Curitiba está em R$ 7,3 bilhões, sendo R$ 4,8 bilhões realizados até agora. De acordo com o secretário, o caixa da prefeitura de Curitiba está no positivo em R$ 440 milhões de reais após o ajuste fiscal. Por outro lado, para 2017, a cidade tinha R$ 614 milhões de despesas sem empenho. Destes, faltam pagar R$ 248 milhões.

Na apresentação feita pelo secretário, há queda da receita corrente líquida, que trata da Lei de Responsabilidade Fiscal. As despesas se reduzem de 50,6% no primeiro trimestre de 2017 para 44,43% no projetado para janeiro de 2018. Esse dado revela que o prefeito pode não fazer o reajuste dos servidores em outubro de 2017.

Nos cálculos da prefeitura, das despesas correntes, estavam destinados R$ 3,65 bilhões com pessoal e encargos sociais. Até agora, com o adiantamento do 13º salário, foram gastos R$ 2,19 bilhões. Isso representa 60% do orçamento para o ano.

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