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Trabalhadores pagam com a vida o desmonte promovido por Parente

13/06/2017

Três trabalhadores da Petrobrás morreram na última sexta-feira em explosão.

Escrito por: FUP

 

Três trabalhadores morreram durante uma explosão sexta-feira em uma caldeira na praça de máquinas do navio sonda NS-32 (Norbe VIII), afretado pela Odebrecht, a serviço da Petrobrás. O acidente ocorreu no Campo de Marlim, um dos principais ativos da estatal na Bacia de Campos. Segundo informações obtidas pelo Sindipetro-NF, a explosão aconteceu durante a manutenção de uma caldeira que não estava operando. Não houve incêndio, mas o vapor super aquecido causou queimaduras graves nos trabalhadores.

Erickson Nascimento de Freitas, de apenas 29 anos de idade, faleceu horas após a explosão. Ele era técnico em inspeções e calibração da IML, empresa subcontratada pela Odebrecht, que executa serviços de sondagem para a Petrobrás. No dia seguinte, outro trabalhador vítima do acidente, Jorge Luiz Daminão, de 44 anos, não resistiu às queimaduras e também faleceu. No domingo, 11 de junho, faleceu o terceiro trabalhador Eduardo Aragão de Lima, de 33 anos.

"Esse caso, assim como outros ocorridos em unidades marítimas, não podem ser considerados acidentes, já que há um histórico, que mostra claramente como a terceirização dos serviços afeta negativamente aos trabalhadores", declarou o Sindipetro-NF.

Desde o ano passado, a FUP vem denunciando o sucateamento imposto pela gestão Pedro Parente, que dizimou o serviço próprio de sondas, hibernando e entregando as unidades a preço de banana, como fez recentemente ao realizar na surdina um leilão internacional, onde doou seis sondas (saiba mais aqui). O resultado deste desmonte é a terceirização de atividades-fim, com precarização dos serviços e mais riscos para os trabalhadores.

"O setor de perfuração e sondagem está sendo totalmente desmobilizado, assim como outras áreas estratégicas da companhia. Um desmonte que vem sendo implementado ao longo dos últimos dois anos, com a hibernação das sondas que agora serão doadas ao mercado", já alertava a Federação em nota divulgada em março, questionando a empresa por gastar "mensalmente milhões com os chamados flotéis e aluguéis de sondas terceirizadas, cujos valores tendem a aumentar nos próximos anos".

"Estamos diante de um crime que não é só financeiro. O que está em jogo é também a perda da reserva de conhecimentos que os petroleiros levaram décadas para desenvolver e que é transmitida de geração para geração. Ao se desfazer de todas as suas sondas de perfuração, a companhia está jogando no lixo a excelência que sempre teve nessa atividade. Se daqui a alguns anos precisar destes profissionais, terá que investir anos em treinamento", denunciou a FUP na época. Leia aqui a íntegra da nota.

O Sindipetro-NF se posicionou publicamente após o acidente desta sexta, declarando que há anos "luta por melhores condições de trabalho para a categoria, mas infelizmente, fica cada vez mais difícil sensibilizar a gestão da Petrobras e demais empresas, que nesse momento mais do que nunca, são movidas a ganância capitalista e ao 'entreguismo' total do seu patrimônio. Inclusive, ontem, 08, foi realizado um ato, com o apoio de diversos movimentos, na porta da Petrobrás, no Rio de Janeiro, justamente em protesto a esse cenário de desmonte do estado e petrolifera que o governo golpista insiste em manter, sem pensar nos trabalhadores".

"Denunciamos ainda, a situação de hoje, em que vivemos um cenário de retrocesso, onde a Petrobras instalou o Programa de demissão voluntária, de forma totalmente irresponsável, deixando que as plataformas e as demais áreas operacionais da Petrobras trabalhem com um efetivo muito abaixo do ideal em termo de segurança. Além desse processo de reduzir em 25% a força de trabalho, temos o problema da redução dos investimentos em manutenção das unidades e capacitação dos trabalhador, deixando nossos companheiros cada vez mais expostos a riscos", afirmou o Sindicato.

Já são cinco mortes ocorridas este ano em unidades do Sistema Petrobrás, em função de acidentes. Todos os trabalhadores eram terceirizados. Nos últimos 22 anos, foram 373 vítimas de acidentes fatais na Petrobrás, das quais 304 eram prestadores de serviço.  

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